• Cadafalso

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    Sim, o Shatner do título é o actor cromo de Star Trek, se bem que na perspectiva de “Where’s Captain Kirk?”, canção da banda punk Spizz Energi. William Shatner é referido no livro, mas não está nele. Na verdade, nem o autor sabe onde está. Do dito Shatner só interessa para o enredo que, num episódio desse clássico televisivo de ficção científica, era ele o fagotista de um grupo de música de câmara.

    Yep: logo à partida, as referências musicais deste novo caudal de frases de Rui Eduardo Paes (carinhosamente mais conhecido por REP) – porque é de um livro sobre música que se trata – estão no rock and roll e na clássica, ainda que para falar de jazz, de improvisação e dessa música que se diz ser “experimental”. Também se passa pelo hip-hop queer e pelo nintendocore, por exemplo, mas afinal nenhuma forma de arte é uma ilha e tudo está, de alguma maneira, interligado. Até quando o que encontramos são as des-associações reais ou quimicamente induzidas que constituem a realidade. Os contos desta, nas páginas que aqui estão dentro, são os do sexo, da loucura e da morte.

    A música não comunica nada, segundo Gilles Deleuze? Mentira: comunica-nos o desejo, esse grande motor do nosso quotidiano, a esquizofrenia que nos define como humanos e a atribulada relação que temos com a Grande Ceifeira. Para ler em ritmo de corrida, porque foi escrito em ritmo de corrida.

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  • Capa do livro O Diabo e Eu, de Alcimar Frazão. Polvo Editora

    O DIABO E EU

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    Robert Johnson, o mítico bluesman do delta do Mississipi, criou na década de 1930 do século passado uma sonoridade entendida por muitos como a ligação entre o blues rural, acústico e sujo, e o blues moderno, electrificado. O seu talento foi atribuído a um suposto pacto que ele teria feito com o Diabo na encruzilhada das estradas 61 com a 49, nos EUA.Tendo como ponto de partida as canções de Johnson, O Diabo e Eu, cria, apenas com imagens, uma ficção biográfica existencial deste personagem lendário, a partir do universo sugerido pela sua curta obra musical. Johnson gravou apenas 29 músicas até aos 27 anos, idade com que morre de forma misteriosa.

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